Consoles

Atari 2600

Console da segunda geração, o Atari 2600, também conhecido como Atari VCS - Video Computer System (e Atari 2800 no Japão), era um console de 8 bit que tornou-se o mais popular de seu tempo.

 

A década de 80 é considerada por muitos um período mágico. Ela trouxe diversos ícones para a cultura pop mundial e brasileira, com filmes como De Volta para o Futuro e Rambo, com bandas como Pet Shop Boys e a brasileira RPM, bem como diversas inovações tecnológicas que aos poucos começaram a fazer parte do dia a dia do brasileiro, como os primeiros microcomputadores, em especial o MSX, que foi bastante vendido por aqui, principalmente em razão do suporte dado por Gradiente e Sharp.

 

Além desses ícones históricos, há um aparelho que chegou no Brasil na década de 80 e que mudou para sempre a vida de muitos brasileiros: o videogame. Com certeza o primeiro que vem à mente do leitor é o Atari 2600, conhecido aqui apenas como Atari. Ele não foi o primeiro videogame, porém foi o primeiro a atingir sucesso suficiente para popularizar um mercado que até então era desconhecido dos brasileiros e ainda restrito a poucos.

 

O Atari 2600 foi lançado nos Estados Unidos em 1977, atingindo grande sucesso por lá. Foi ele que popularizou o sistema de troca de cartuchos nos videogames, pois até então, boa parte dos consoles produzidos tinham apenas jogos em sua memória e não poderiam ser alimentados com novos jogos. Um bom exemplo é o Tele-jogo, que foi o primeiro videogame comercializado oficialmente no Brasil, lançado em 1977 por uma parceria entre Ford e Philco. O Tele-jogo possuía 3 jogos na memória: futebol, tênis e paredão, todos com gráficos simples ao extremo, sem opção de inserir novos jogos.

 

Naquela época vigorava no Brasil uma lei de reserva de mercado, que proibia a importação de componentes e equipamentos eletrônicos e de informática. Isso fez com que todas as novidades nessa área não conseguissem entrar no Brasil de forma lícita sem que fossem produzidas por aqui. Diante disso, empresas brasileiras começaram a copiar os hardwares dos videogames estrangeiros (em especial o Atari) e assim começaram a ser lançados aqui no começo da década de 80, diversos consoles compatíveis com o Atari 2600, tais como o Dynavision e o Dactari. Apenas no final de 1983 é que o Atari chegou oficialmente no país, pelas mãos da Polyvox, uma subsidiária da Gradiente.

 

Naquele tempo, o Atari começou a estourar de vez no Brasil, pois juntou a grande gama de consoles e jogos já lançados pelas empresas “clone” brasileiras, com o console oficial e os games vendidos com o selo da Atari. E quantos games inesquecíveis essa época nos trouxe: Pitfall, Enduro, River Raid, Adventure (um dos primeiros em que era possível terminar/zerar o game), Keystone Kapers (jogo do policial que corria atrás do bandido dentro de um shopping), Pac-Man, Decathlon (famoso jogo de olímpiada destruidor de controles) e muitos outros.

 

Nesse período, outras empresas, percebendo o sucesso da Atari no Brasil, lançaram dois consoles concorrentes: o Mattel Intellivision, lançado no Brasil pela Digiplay, e o Magnavox Odyssey², lançado por aqui por sua subsidiária brasileira, a Philips. Ambos obtiveram relativo sucesso por aqui, mas sem tirar o brilho do videogame da Atari. A própria Atari, temendo a concorrência desses consoles e do Colecovision (lançado no Brasil apenas em console clone - o Splicevision), lançou nos Estados Unidos um novo console chamado Atari 5200.

 

Se no Brasil tudo ia bem, nos Estados Unidos não se podia dizer o mesmo, pois uma grande crise praticamente acabou com o mercado de videogames norte-americano. Por lá, diversos consoles haviam sido lançados, e muitos e muitos jogos (a maioria ruins), amargavam o encalhe nas prateleiras. E acredite, a Atari foi uma das grandes responsáveis por essa crise, devido a diversas decisões erradas tomadas pela empresa. A mais célebre é referente ao jogo do filme E.T., que devido a um lançamento precipitado (um jogo na época tinha tempo mínimo de desenvolvimento de 3 meses... E.T. foi desenvolvido em 5 semanas e meia!!), o game lançado era complexo e cheio de bugs, carregando até hoje o título - injusto, diga-se de passagem - de “um dos piores jogos de todos os tempos”. E o problema não se resumia a isso: a Atari teve a brilhante ideia de produzir uma quantidade de cartuchos do E.T. muito superior à base de consoles vendidos, imaginando que o jogo faria tanto sucesso que eles conseguiriam vender mais aparelhos com ele.

 

A ideia obviamente não deu certo. O jogo, apesar de ter vendido quase duas milhões de unidades (fonte: vgchartz), teve algo em torno de 3 milhões de unidades encalhadas. Levando em consideração o investimento que a Atari fez para obter a licença do jogo e para a fabricação dos cartuchos, o prejuízo chegou a cerca de 100 milhões de dólares aos cofres da empresa, uma cifra astronômica para a época. Toda essa situação gerou o malfadado episódio do enterro dos cartuchos realizados pela Atari em alguns desertos dos Estados Unidos, sendo que um desses aterros foi localizado recentemente por uma equipe de escavadores durante a realização de um documentário financiado pela Microsoft e que foi ao ar para os usuários dos consoles Xbox.

 

No Brasil, diante das limitações trazidas pela legislação da época para a realização de importações, nada dessa crise foi sentida e a indústria do videogame local seguia a todo vapor. E assim se seguiu até 1989, quando começaram a surgir por aqui os primeiros clones do console da Nintendo, o NES (conhecido por Nintendinho por aqui).

 

Estima-se que foram vendidos cerca de 30 milhões de unidades do Atari 2600 em todo o mundo, porém a cifra deve ser bem maior, considerando a existência de grande quantidade de clones do console no mercado mundial.



Outros Nomes: Atari VCS, Atari 2800

Ano Lançamento: 1977

Data / Regiões de Lançamento:

31/08/1983 - Brasil
Europa
01/10/1983 - Japão
11/09/1977 - Estados Unidos

Fabricante: Atari


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